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Atuação do Fisioterapeuta em Home Care


O que é Home Care?

Home Care é uma modalidade “sui-generis” de oferta de serviços de saúde. A empresa provê cuidados, tratamentos, produtos, equipamentos, serviços especializados e específicos para cada paciente, num ambiente extra-institucional de saúde mais especificamente, porém não tão somente, nas suas residências.

Em Home Care a condição clínica ou enfermidade do paciente torna-se parte de um plano de tratamento global integrado, cuja finalidade é a ação preventiva, curativa, reabilitadora e/ou paliativa especializada. Poucos serviços de saúde têm estas características.

A singularidade desses serviços se fundamenta no método de operação. A metodologia integrada envolve todos os fatores que contribuem para a saúde física, social, espiritual e psicológica do paciente e do cuidador. O Home Care explora todos esses fatores e utiliza uma metodologia adequada de questionamento, avaliação, planejamento, implementação, acompanhamento e finalização, de um conjunto de ações diretamente relacionadas com metas bem estabelecidas por uma equipe multidisciplinar.

Quais as vantagens para o paciente atendido pelo Home Care?   

· O paciente é tratado fora do hospital e em contato com a família e  no conforto do seu lar
· Menor índice de infecção
· Conforto ao paciente
· Carinho da família
· Convivência  e a participação da família
· Preservação da dimensão social do paciente
· Redução do estresse emocional
· Redução de custos
· Autonomia do paciente
· Maior Segurança
· Atendimento personalizado

Quais os motivos do grande crescimento do Home Care no Brasil?  

Com a ampliação dos Serviços Públicos e o aparecimento das Operadoras de Planos de Saúde, houve um aumento da qualidade e da quantidade de hospitais, ambulatórios e consultórios médicos para atender à demanda de uma população crescente.

Começava, então, uma era de crescimento tecnológico na saúde, iniciando um processo cada vez mais dependente de complexos hospitalares e influenciando a cultura popular e dos próprios profissionais da saúde que passaram a relacionar tratamento médico à estrutura hospitalar. A atenção domiciliar caiu em desuso.

O mesmo fenômeno que favoreceu a modernização tecnológica trouxe o encarecimento dos custos com saúde, dificultando o acesso do paciente ao sistema privado e sobrecarregando o sistema público. Ambos os setores passaram a estudar alternativas de gestão de recursos para atender a seus usuários.

Com isso, surge espaço para a implantação da Assistência Domiciliar.

Quais os principais conceitos e definições envolvidos com a assistência domiciliar?  

Assistência Domiciliar é o nome genérico dado a qualquer serviço de saúde realizado no domicílio do paciente por profissional habilitado nessa área.
Atualmente podemos dividir essa assistência em dois tipos característicos: Atendimento Domiciliar e Internação Domiciliar.

Atendimento Domiciliar é o nome dado à visita ou procedimento, isolado ou periódico, realizado no domicílio do paciente por profissional habilitado na área da saúde. Comparativamente, pode-se entender o evento como alternativa ao atendimento ambulatorial, prestado a paciente que não necessite de hospitalização.

Internação Domiciliar é o nome dado ao serviço prestado no domicílio do paciente, em substituição ou alternativo à hospitalização, por equipe técnica habilitada e multiprofissional, da área da saúde, contando com estrutura e logística de apoio. Deve estar integrado a um programa específico com essa finalidade, sendo realizado por instituição médica de assistência domiciliar e, obrigatoriamente, coordenada e supervisionada por médico, além de registrada no Conselho Regional de Medicina.

Cuidador é o nome dado à pessoa designada pelo paciente ou pela sua família para auxilia-lo durante a assistência domiciliar, podendo ou não ser um familiar. Será o responsável pelo paciente, servindo de referência para as trocas de informações com os profissionais da equipe de assistência domiciliar e deles recebendo o adequado treinamento para os cuidados básicos necessários ao doente, conforme o plano terapêutico inicial.

Médico Assistente ou Titular é o médico que já acompanhava o caso do paciente, ambulatorialmente ou em sua hospitalização, antes da Assistência Domiciliar.

Médico Visitador é o médico designado pelo corpo clínico da instituição prestadora de assistência domiciliar responsável pelo gerenciamento do caso e que realiza visitas periódicas no domicílio, auxiliando ou substituindo o médico assistente, quando necessário.

Plano Terapêutico indica qual a estratégia de tratamento domiciliar ao paciente, considerando suas necessidades clínicas, treinamento do cuidador, tempo de duração da assistência, programação de “desmame” e alta, além de estabelecer as competências entre equipe e paciente/família. Também pode ser chamado de Plano de Atenção.

Desmame é o nome dado à redução gradual da estrutura disponibilizada na assistência domiciliar, de acordo com a evolução do plano terapêutico previamente acordado, até a alta.

Cuidados Básicos trata-se dos cuidados necessários para a manutenção da qualidade de vida, higiene, alimentação e conforto do paciente, somados a alguns procedimentos simples que podem ser aprendidos por leigos treinados por profissionais habilitados, dando autonomia ao paciente e/ou ao seu cuidador.

Critérios de Elegibilidade é o conjunto de informações que permitem o correto enquadramento do paciente à modalidade de assistência domiciliar prestada pela instituição prestadora do serviço.

 

 

Tenho um familiar internado em hospital e que pode beneficiar-se do atendimento pelo Home Care após a alta. Provavelmente ele precisará de ventilação mecânica (uso de respirador). São necessárias reformas na minha residência?

O domicílio de um paciente que receberá ventilação mecânica domiciliar (VMD) precisa ser avaliado antes de sua transferência. Os pontos principais desta avaliação objetivam verificar o espaço físico interno, as barreiras arquitetônicas representadas pela largura de portas e corredor, pela presença de escadas e pelas condições de mobilidade para cadeira de rodas, a condição da rede elétrica do domicílio inclusive com relação a quantidade e localização das tomadas existentes, além das condições sanitárias da residência.

É comum a solicitação de pequenas reformas na residência antes da transferência do paciente do Hospital, objetivando a máxima adequação do domicílio para receber toda a estrutura necessária representada pelo material, equipamentos e pessoal, para prover um atendimento seguro ao paciente em VMD.

Outro fator importante a ser analisado é o ambiente no qual o paciente ficará alojado, observando itens como iluminação, umidade, ventilação/aquecimento e piso, devendo este ser o de maior praticidade para higienização.

 

 

Qual a atuação do fisioterapeuta no paciente com ventilação mecânica domiciliar? 

A realização do atendimento fisioterapêutico no domicílio de um paciente em VMD é por si só um desafio ao profissional. Acostumado pela sua formação a realizar tal atendimento em âmbito hospitalar, o profissional encontrará no ambiente domiciliar, características específicas que diferem das encontradas no hospital, principalmente no que diz respeito ao relacionamento com paciente/familiar e aos recursos terapêuticos disponíveis.

O convívio mais próximo e constante entre terapeuta, paciente e familiar dentro do ambiente domiciliar, possibilita a existência de um vínculo terapeuta-paciente baseado em respeito, confiança e afeto, e que poderá permitir ao profissional encontrar caminhos terapêuticos alternativos para atingir seus objetivos.

O fisioterapeuta deverá procurar adaptar-se ao ambiente domiciliar de cada paciente, desenvolvendo um senso de percepção, criação e improviso, buscando a utilização dos recursos que cada domicílio apresenta, visando assim, extrair ao máximo os possíveis resultados terapêuticos com cada paciente. Pequenas adaptações são muitas vezes necessárias para atingir determinados objetivos terapêuticos específicos.

A abordagem do profissional fisioterapeuta deverá ser global, com uma visão holística do paciente, proporcionando um tratamento não somente específico ao problema diagnosticado, mas principalmente às limitações impostas ao paciente, visando ao máximo a funcionalidade das ações praticadas nas atividades de vida diária.

As condutas fisioterapêuticas propriamente ditas a serem realizadas no domicílio não divergem muito das realizadas no ambiente hospitalar. Os objetivos terapêuticos muitas vezes são os mesmos, apenas diferindo um pouco na forma de atingi-los, em função do aproveitamento dos recursos presentes no domicílio.

Quantos pacientes são atendidos por Home Care hoje no Brasil?

De acordo com um trabalho elaborado pelo Núcleo Nacional das Empresas de Assistência Médica Domiciliar ( NEAD ) e publicado no Jornal O Estado de São Paulo em 14 de fevereiro de 2006, o setor conta com 170 empresas brasileiras especializadas em atendimento de saúde domiciliar, maioria dessas empresas estão localizadas em São Paulo , 30 mil pacientes sendo atendidos por mês em regime de Home Care, 73% dessas empresas tem como clientes planos de saúde, e 20% são serviços do SUS. Não foi mencionado o número de clientes particulares.

Quem indica o paciente para a internação domiciliar?

É o Médico titular do paciente. Qualquer caso ou procedimento com prescrição médica que contenha indicação clínica para internamento hospitalar pode, também, ser considerado indicado para o Internamento Domiciliar de Saúde, desde que, o paciente se enquadre nos critérios de inclusão do sistema extra-hospitalar, que o custo/benefício para a fonte pagadora seja vantajoso, que a segurança física e mental do paciente, dos familiares, dos cuidadores informais ou formais sejam favoráveis e que haja o consentimento escrito dos envolvidos no processo.

Contribuição da regional São Paulo  

Fontes:

www.portalhomecare.com.br

Fisioterapia Respiratória no Paciente Crítico

Cap. 18 – Home Care

Editora Manole, 2ª edição – 2007

Luiz Gustavo Ghion, Ari Bolonhezi e Walmar Augusto Miranda

 

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