ARTIGO COMENTADO MOBILIZAÇÃO

09-09-2013

Recentemente, foi publicado no Archives of Physical Medicine and Rehabilitation uma revisão sistemática com o foco na mobilização ativa de pacientes ventilados mecanicamente (Arch Phys Med Rehabil. 2013;94(3):551-61). O objetivo dos autores foi de investigar a efetividade e segurança assim como a melhora na capacidade funcional e desfechos hospitalares nos pacientes ventilados por períodos maiores que 24 horas.

Para isso, Zhiqiang Li e colaboradores incluíram na revisão sistemática estudos que foram realizados com pacientes adultos ventilados por um período maior que 24 horas, ensaio clínicos randomizados ou quasi-ensaios clínicos e para avaliação da segurança admitiu-se serie de casos com mais de 10 pacientes; incluíram ainda estudos que realizaram mobilização ativa. Foram excluídos estudos que avaliaram os efeitos da mobilização passiva, saída do leito de forma isolada, prancha ortostática e eletroterapia. Os estudos foram avaliados por um par de revisores que categorizaram os artigos de acordo com a escala PEDro (Physiotherapy Evidence Database). Foram incluídos na analise 17 artigos com diferentes delineamentos metodológicos.

Os presente autores demonstraram que a mobilização ativa pode aumentar a força muscular periférica assim como dos músculos respiratórios após a intervenção. Em relação a independência funcional foi observado que os pacientes aprimoram a distância percorrida além dos valores na Escala de Barthel e MIF. Os principais resultados relacionados a desfechos hospitalares foram a redução no tempo de desmame e de estadia na unidade de terapia intensiva (UTI). Porém, quando avaliado a mortalidade no período de 1 ano, apenas um estudo foi capaz de demonstrar redução neste índice. Um fator importante a ser destacado é que não foram relatados efeitos adversos com repercussão clinica nos pacientes submetidos a esta abordagem.

Por fim, a analise deste artigo nos deixa evidente os efeitos positivos da mobilização ativa, devendo ser ressaltados que as demais formas de estimulação precoce foram excluídas, quando utilizadas na UTI em relação a desfechos funcionais e hospitalares, podendo estar serem utilizadas nas unidades por serem seguras.


Luiz Alberto Forgiarini Junior

Fisioterapeuta

Especialista em Terapia Intensiva Adulto – ASSOBRAFIR

Doutor em Ciência Pneumológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS

Docente do Curso de Fisioterapia – Centro Universitário Metodista – IPA

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